Com apoio do Instituto Equatorial, projeto Biojóias Quilombolas capacita mulheres da comunidade Pilões na produção sustentável de joias com sementes nativas
Sementes de baru, cascas de
jatobá e outros frutos do Cerrado que antes eram vistos apenas como fontes de
alimentos ou parte da paisagem estão sendo transformados em fonte de renda para
dezenas de mulheres quilombolas em Goiás. Há mais de 35 anos, a artesã Maria do
Cerrado faz esse trabalho e, agora, vai ensinar o ofício para cerca de 50
mulheres da comunidade quilombola Pilões, em Iporá, em uma nova edição do
projeto "Biojóias Quilombolas – Empreendedorismo Feminino".
O projeto funciona por meio de
oficinas práticas que buscam resgatar tradições ancestrais para promover a
autonomia financeira das mulheres quilombolas e a valorização do Cerrado. Além
das técnicas de produção artesanal de colares e brincos, é transmitido o
conceito de colheita sustentável.
"Sempre sintetizei que é
muito importante o Cerrado estar em pé para que a gente possa fazer o nosso
artesanato. Agora, essas mulheres estarão aptas a usar a criatividade e
transformar ideias em renda. E também terem conhecimento para recolher o material
de forma sustentável para não degradar o meio ambiente. Quando alguém compra um
colar desse, mostra que aquela planta está sendo preservada e que tem valor
", destaca a mestra.
O projeto é um dos 14
selecionados em Goiás pela segunda edição do Edital Diálogos, do Instituto
Equatorial, que investe em projetos de impacto social para fortalecer ações
relacionadas à educação, cultura, sustentabilidade e empreendedorismo nas
regiões onde o Grupo Equatorial atua.
O coordenador do projeto
Biojóias Quilombolas, Luís Alves Verdugue, destaca que o apoio do Edital
Diálogos permitiu a compra de ferramentas modernas, como furadeiras e
equipamentos de lapidação das joias, para continuar o projeto de forma mais
estruturada. "Essas ferramentas são essenciais para dar um acabamento
refinado às peças e, sobretudo, para proteger a saúde das artesãs, evitando as
lesões nas mãos causadas pelo esforço manual", explica Luiz, que também
integra a Coordenação Estadual de Articulação das Comunidades Quilombolas de
Goiás.
Geração de renda e identidade
As biojóias e outros produtos
artesanais feitos pelas participantes são produzidos de forma sustentável e
equilibrada com sementes de baru, pequi, cascas de jatobá, entre outros frutos.
Além da possibilidade de gerar renda, o projeto incentiva a valorização da
identidade territorial e o resgate da história ancestral da comunidade
quilombola.
Com mais de 100 anos de
história e 70 famílias, o Quilombo Pilões é uma das 65 comunidades quilombolas
de Goiás certificadas pela Fundação Palmares. O estado tem outros 20 quilombos
em processo de reconhecimento pelo governo federal.
"Os frutos secos trazem a
identidade do nosso território. E para mim o projeto foi importantíssimo para
retornar ao meu território, transmitir meu conhecimento e também aprender com
as mulheres da comunidade”, reforça Maria do Cerrado.
As participantes receberão
ainda oficinas de empreendedorismo, gestão e precificação de outros parceiros,
como o Sebrae e o Instituto Federal. O objetivo dessa capacitação a longo prazo
é transformar o grupo em uma cooperativa, preparando as artesãs para
comercializar suas peças em larga escala através de catálogos digitais.
Atualmente, as peças já são vendidas em feiras locais.
"Esse projeto resgata uma
história de mais de 100 anos da comunidade Pilões, transformando saberes
ancestrais em um negócio sustentável. Nossa meta é criar uma cooperativa
consolidada para que nossa produção chegue a outros mercados do Brasil e até no
exterior", completa Luís.
A executiva em
responsabilidade social do Instituto Equatorial, Janaína Ali, destaca o
potencial do projeto Biojóias Quilombolas para impactar a comunidade. “Esse
projeto é um exemplo de como iniciativas da comunidade local tem o poder de
descobrir talentos, desenvolver habilidades e transformar realidades de pessoas
que vivem em situação de vulnerabilidade. O nosso objetivo é justamente
contribuir para a valorização e o desenvolvimento de populações tradicionais
como o Quilombo Pilões”, comentou Janaína.
Sobre o Instituto Equatorial
O Instituto Equatorial é a
estratégia social do Grupo Equatorial que atua na promoção do desenvolvimento
social por meio de projetos voltados à educação, geração de renda e
fortalecimento de comunidades nos estados onde o grupo está presente.
Por meio do Edital Diálogos, o
Instituto investiu desde a primeira edição cerca de R$ 7 milhões, nos estados
onde o Grupo Equatorial atua. Só na primeira edição, o programa impactou mais
de 107 mil pessoas em sete estados brasileiros: Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas,
Goiás, Amapá e Rio Grande do Sul.
Sobre a Equatorial Goiás
A Equatorial Goiás pertence ao
Grupo Equatorial, holding brasileira do setor de utilities e 3º maior grupo de
distribuição de energia do país, com 7 concessionárias que atendem mais de 56
milhões de pessoas. Somente em Goiás são cerca de 3,8 milhões de unidades
consumidoras em 237 municípios, abrangendo 98,7% do território estadual, com
cobertura de uma área de 336.871 km².
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