O franchising conta atualmente com mais de 207,2 mil operações ativas em todo o Brasil, segundo estudo da Associação Brasileira de Franchising (ABF). O universo do franchising mudou drasticamente nos últimos anos, especialmente com a chegada de formatos inovadores, como minimercados autônomos em condomínios, lavandarias self-service e modelos de restaurantes em formatos de dark kitchens, que escalam negócios criativos diante de cenários desafiadores.
Essas novas formas de entrar no franchising mostram que conveniência, ocupação de território e agilidade de execução são os elementos essenciais para mover a engrenagem do empreendedorismo no setor. É aquela máxima: o teste real acontece com
o carro em movimento, e é o mercado quem valida o modelo em tempo real, com acertos e desafios vividos no cotidiano de cada unidade.
Essa lógica não muda quando falamos dos nichos do setor, como a área de alimentação, o food service. Só essa fatia do franchising cresceu 13,7% no 2º trimestre deste ano, impulsionada por inovações em produtos, excelência no atendimento e praticidade, pilares valorizados pelo consumidor final e responsáveis por atrair uma nova leva de empreendedores para o segmento. Tanto que 2026 se desenha como um ano promissor para esse movimento: segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL), de janeiro a julho a área de alimentação cresceu 3,8%. Diante dessa perspectiva de ascensão, surge a pergunta: como trazer inovação com alta escalabilidade para a área da gastronomia?
Depois de mais de 20 anos empreendendo em múltiplos segmentos, do automotivo ao turismo, aprendi que a escala só é sustentável quando respaldada por processos que protegem a ponta: o franqueado. Não existem modelos certos ou errados; existem negócios com naturezas operacionais diferentes. É por isso que tenho investido cada vez mais neste setor, priorizando a padronização e estruturando negócios que ofereçam vantagens estratégicas reais aos pequenos empreendedores que decidem apostar no franchising.
Foi assim, inclusive, que, antes de essa ideia de uma nova marca de food service chegar aos futuros candidatos a franqueados, dedicamos dois anos exclusivamente a estudar a engenharia do negócio. Foram analisadas a logística de insumos, a eficiência do autoatendimento por totens, a padronização das fichas técnicas e a viabilidade financeira do investimento antes de abrir as portas para a expansão.
Esse cuidado, antes de oferecer o negócio aos novos empreendedores, foi essencial, ainda mais em um setor em que o cliente julga a marca pela temperatura da massa, pela crocância da borda e pela velocidade do atendimento. O tempo de maturação não é lentidão: é margem de segurança. É a garantia de que o investidor que aplica suas economias na rede não vai usar o próprio capital como ‘laboratório de testes’.
A grande sagacidade do franchising moderno está justamente na pluralidade. Há espaço e demanda tanto para as redes que nascem da tração tecnológica ultrarrápida quanto para os modelos operacionais construídos na precisão do detalhe. No final do dia, o papel do franqueador com bagagem de mercado é entender exatamente em qual jogo está jogando. A experiência de duas décadas me ensinou que a reputação de uma marca não se mede apenas pelo número de contratos assinados no lançamento, mas pela saúde financeira e pela perenidade das unidades que seguem abertas anos depois. É assim que se conquista permanência e expansão no segmento.
Foi com esse princípio em mente que, ao idealizarmos nossa rede, a pergunta que nos fizemos não foi ‘quão rápido conseguimos vender 100 unidades?’, mas sim "como garantir que o milionésimo pastel frito na rede tenha exatamente o mesmo padrão, a mesma margem de lucro e a mesma simplicidade operacional da nossa loja piloto?".
Esse compromisso é o que sustenta a proposta. Não vender uma ideia pronta, mas entregar um modelo blindado contra o improviso, para que cada novo franqueado comece de onde a gente já errou, ajustou e validou, e não do zero.
*Marco Lisboa é um multiempreendedor que iniciou sua trajetória aos 18 anos. Formado em comércio exterior e marketing, ele atuou no segmento de limpeza e serviços, mas, em 2019, decidiu investir no turismo, criando a 3,2,1 GO!, uma rede de franquias de viagem focada em parques de Orlando e que hoje reúne 115 franqueados no Brasil e no exterior. Em 2026, Marco trouxe a sua expertise em franchising para fundar, ao lado dos sócios Pedro Afonso e Pedro Francisco, a Pastel do Bairro, rede de pastelaria que resgata o afeto e a tradição das feiras livres por meio de receitas autorais, que pretende chegar a 20 unidades comercializadas até o fim deste ano.

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