Em entrevista ao Simpol-DF, deputada falou sobre trajetória profissional, valorização dos policiais civis, paridade com a Polícia Federal, proteção às mulheres e prioridades para a segurança pública
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A deputada distrital Doutora Jane afirmou que a valorização da Polícia Civil do Distrito Federal, o fortalecimento das investigações e a incorporação de novas tecnologias devem estar entre as prioridades da segurança pública. Em entrevista ao Simpol Entrevista, espaço promovido pelo Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal, a parlamentar também abordou a recomposição do efetivo, a preservação das atribuições da PCDF, a paridade remuneratória com a Polícia Federal e políticas de proteção às mulheres.
Atualmente deputada distrital pelo Republicanos, Doutora Jane é policial civil e chegou à Câmara Legislativa após uma trajetória que passou pelas áreas de saúde, educação e segurança pública. A identificação funcional e partidária consta no perfil oficial da parlamentar na CLDF.
Durante a entrevista, ela relembrou que trabalhou como técnica de enfermagem e professora antes de ingressar na Polícia Civil como agente de polícia, após aprovação no concurso de 1999. Posteriormente, formou-se em Direito e tornou-se delegada.
Para a parlamentar, foi justamente sua atuação policial que projetou seu nome para a vida pública.
“Quem chegou ao Parlamento foi a Doutora Jane delegada. Não foi a professora, não foi a técnica de enfermagem, foi a delegada”, afirmou.
Segundo ela, a experiência à frente de delegacias, especialmente no Paranoá, fortaleceu sua relação com as comunidades e influenciou sua atuação parlamentar. Jane disse procurar concentrar o mandato em temas com os quais teve contato direto ao longo da carreira pública.
“Eu procuro atuar nas pautas em que eu tive vivência como servidora”, declarou.
Defesa das mulheres
Um dos principais temas abordados foi o enfrentamento à violência contra a mulher. Doutora Jane afirmou que transformou experiências vividas nas delegacias em propostas apresentadas durante o mandato.
Entre as iniciativas mencionadas está o “Conheça Seu Par”, que permite a consulta de informações relacionadas a antecedentes envolvendo violência doméstica. A Lei nº 7.536/2024, de autoria da parlamentar, foi sancionada no Distrito Federal e estabelece a divulgação de sistemas para esse tipo de consulta.
“Não vai impedir que ela entre no relacionamento, mas, quando ela entrar, entra sabendo que ele é um agressor e que ela pode ser a próxima vítima. Então é criar condições de autocuidado para a mulher”, explicou durante a entrevista.
A deputada também citou o aplicativo Mulher Segura DF e outras ações voltadas à integração da rede de proteção.
“Acredito que é uma grande entrega do mandato, que fecha esse ciclo dos primeiros quatro anos de entregas para fortalecer a rede de proteção e defesa das mulheres”, declarou.
Efetivo e tecnologia na Polícia Civil
Ao tratar do déficit de policiais, Doutora Jane afirmou que a recomposição dos quadros depende de decisões do Executivo, mas defendeu que a tecnologia seja utilizada para ampliar a capacidade de investigação da instituição.
“O nosso governador tem que ter como prioridade recompor as forças. Então, o nosso papel é dizer a ele, a partir do nosso conhecimento, a importância disso”, afirmou.
Na avaliação da deputada, a Polícia Civil também precisa acompanhar as mudanças no perfil da criminalidade, principalmente diante do crescimento de delitos praticados por meios digitais.
“O crime mudou. A polícia precisa rapidamente se adequar a essas novas tecnologias para que a gente consiga ficar à frente dos criminosos e manter a polícia na vanguarda”, disse.
Fotos: Renato Oliveira.
Para Jane, ferramentas de inteligência, inovação e tecnologia podem contribuir para tornar as investigações mais eficientes.
“A gente precisa realmente trazer a tecnologia com força para a polícia para melhorar esse processo”, acrescentou.
Menos estruturas e mais policiais investigando
Durante a entrevista, a deputada apresentou ainda uma posição sobre a distribuição das unidades policiais no Distrito Federal. Na visão dela, em algumas regiões, a concentração de equipes em estruturas maiores poderia permitir o aproveitamento mais eficiente do efetivo existente.
“Nosso trabalho é de investigação, não é sala com policial ocupando. A gente precisa de gente para investigar”, declarou.
Segundo Jane, a abertura de novas delegacias sem aumento correspondente do número de servidores pode provocar a divisão de equipes já reduzidas.
“Cada vez que você cria um espaço a mais sem fazer concurso e sem trazer mais gente, você só vai tornando mais ineficiente o nosso trabalho”, afirmou.
Ela resumiu sua posição dizendo defender “menos delegacias e mais policiais”, com equipes maiores destinadas à investigação e ao atendimento das ocorrências.
Atribuições da Polícia Civil
Outro ponto abordado foi a delimitação das atribuições entre as instituições de segurança pública. Doutora Jane afirmou respeitar o trabalho das demais corporações, mas defendeu que as competências constitucionais da Polícia Civil sejam preservadas.
“Tenho o maior cuidado e o maior respeito pela Polícia Militar, absoluto. Sei que cada um, na sua função institucional, é importante, mas tem atribuições que são nossas”, afirmou.
Na avaliação da deputada, a Secretaria de Segurança Pública deve atuar na mediação entre as instituições para evitar sobreposição de atividades e sistemas.
“A Polícia Militar é uma polícia ostensiva; a polícia investigativa e judiciária é a Polícia Civil”, declarou.
Ela acrescentou que eventuais sobreposições podem prejudicar o andamento da investigação.
“Tem que ser preservadas as atribuições. É cada um no seu quadrado e tudo funcionando junto. Aí funciona bem”, afirmou.
Paridade com a Polícia Federal
A paridade remuneratória entre a Polícia Civil do Distrito Federal e a Polícia Federal também ocupou parte significativa da entrevista. Doutora Jane defendeu a continuidade da mobilização pela equiparação.
“Para mim é paridade já. A paridade está atrasada, já passou, já devia ter acontecido”, afirmou.
De acordo com a deputada, as duas carreiras possuem uma relação histórica e a reivindicação deve continuar sendo discutida de forma específica pela PCDF.
“O nosso objetivo é essa paridade, porque ela é de direito. Nós temos esse direito”, declarou.
Jane argumentou ainda que as negociações das diferentes forças de segurança devem considerar as particularidades das respectivas carreiras, sem transformar a reivindicação da Polícia Civil em oposição às demandas de policiais militares ou bombeiros.
“A nossa luta é em busca da paridade com a Polícia Federal”, ressaltou.
Condições de trabalho e saúde dos policiais
Na parte final da entrevista, Doutora Jane ampliou a discussão sobre valorização profissional e afirmou que as reivindicações da categoria não se limitam à remuneração. Ela mencionou a necessidade de discutir condições de trabalho, estruturas das delegacias, assistência à saúde e saúde mental dos servidores.
“Parece que policial só fala de salário. Não. A gente fala de condições de trabalho também”, afirmou.
A parlamentar também defendeu atenção às policiais gestantes e lactantes e disse que benefícios existentes em outras carreiras podem servir de parâmetro para reivindicações da Polícia Civil.
Sobre suas prioridades para uma eventual continuidade do mandato, Jane afirmou que pretende manter o gabinete aberto às demandas da instituição e das entidades representativas.
“Hoje é um mandato que está à disposição e, sendo renovado, vai continuar à disposição da categoria para debates, para defesa dos interesses e para buscar aquilo que a polícia quer”, declarou.
Ao encerrar a entrevista, Doutora Jane voltou a destacar sua identificação profissional com a PCDF.
“Tem aqui uma policial que veste a camisa da Polícia Civil. Quando eu boto a camisa, eu me sinto muito orgulhosa. Para mim é uma segunda pele, no sentido de amar a polícia, me interessar pelos assuntos que se referem à polícia e defender a Polícia Civil”, concluiu.
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