Mudanças climáticas e novas demandas do mercado aceleram busca por soluções de engenharia sustentável
A combinação entre aumento dos custos operacionais, maior demanda por eficiência e os impactos das mudanças climáticas vem alterando a forma como empresas projetam e operam seus empreendimentos. Soluções de engenharia capazes de reduzir o consumo de energia, otimizar recursos e melhorar o desempenho dos ativos ganham espaço como alternativas com impacto direto sobre a operação e os resultados dos negócios.
Esse movimento já aparece nos números. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo industrial de eletricidade no Brasil chegou a 199,3 TWh em 2025, alta de 0,7% em relação ao ano anterior. O consumo de energia da indústria também avançou 1%, alcançando 92,2 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep). Ao mesmo tempo, a busca por eficiência ultrapassa o ambiente industrial e alcança segmentos como varejo, logística, educação e empreendimentos comerciais, nos quais os custos de energia e operação têm peso relevante na gestão dos ativos.
É nesse contexto que a engenharia sustentável deixa de ser associada exclusivamente às pautas ambientais e passa a ser considerada uma ferramenta de eficiência e competitividade. Na Engepoli, especializada em soluções de iluminação e ventilação natural, essa mudança de comportamento tem se refletido no mercado. A empresa registrou crescimento de 32,2% nos primeiros oito meses de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, e recentemente inaugurou novos projetos de exportação.
Para Cássio Pissetti, diretor comercial da Engepoli, o avanço está relacionado a uma mudança na percepção das empresas sobre sustentabilidade. “Nos últimos anos, percebemos uma mudança importante na forma como o mercado enxerga a sustentabilidade. Ela deixou de ser tratada apenas como uma exigência e passou a fazer parte das decisões estratégicas dos empreendimentos”, afirma.
Segundo o executivo, os clientes estão cada vez mais interessados nos efeitos práticos das soluções sobre a operação. “Hoje, eles querem entender como uma solução pode impactar a operação, gerar economia e melhorar o uso dos recursos. Quando conseguimos unir eficiência energética, aproveitamento dos recursos naturais e conforto para as pessoas, a sustentabilidade deixa de ser apenas um conceito e passa a representar um investimento com retorno ao longo da vida útil do empreendimento”, acrescenta.
Eficiência energética entra na agenda dos negócios
Entre as novas tecnologias disponíveis para o mercado estão os sistemas de iluminação zenital, que distribuem a luz natural de forma mais uniforme e ajudam a reduzir o ganho térmico em grandes áreas, como galpões industriais e centros logísticos. O Skylux Ultra, da Engepoli, é um exemplo. O sistema conta com certificação internacional FM Approved, concedida pela FM Approvals (FM Global), após testes de resistência, durabilidade e segurança.
A solução utiliza policarbonato de alta resistência, com proteção contra radiação UV, e nanoprismas que auxiliam na distribuição da luz. Segundo a empresa, o sistema alcança 80% de transmissão luminosa. O dimensionamento é realizado por softwares especializados, considerando as características de cada projeto.
Outra frente é a ventilação natural, que utiliza processos como a convecção para promover a circulação e a renovação do ar sem depender exclusivamente de equipamentos mecânicos. A estratégia pode reduzir a necessidade de ventiladores e sistemas de ar-condicionado e, consequentemente, os custos de operação.
A lógica por trás dessas soluções é transformar recursos disponíveis no próprio ambiente - como luz e circulação natural do ar - em elementos de eficiência operacional. Para empresas, isso significa considerar o desempenho do empreendimento não apenas a partir do custo de implantação, mas também dos gastos e benefícios acumulados durante sua vida útil.
“A tendência é que a engenharia sustentável esteja cada vez mais presente desde as primeiras etapas de concepção dos projetos. As escolhas feitas na engenharia têm impacto direto sobre a eficiência, os custos e o desempenho do ativo ao longo do tempo. Por isso, acreditamos que soluções voltadas ao uso inteligente dos recursos naturais deixarão de ser um diferencial para se tornar uma premissa dos projetos das próximas décadas”, conclui Pissetti.
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