Avanço da IA generativa e expansão dos bancos digitais de questões devem transformar os processos avaliativos
As avaliações acadêmicas devem passar por um avanço significativo em 2026, impulsionadas pelo uso crescente de inteligência artificial generativa e pela consolidação de bancos digitais de questões. Estudos recentes reforçam a tendência: segundo relatório da UNESCO, mais de 60% das instituições de ensino superior no mundo já utilizam algum nível de automação ou analytics educacional para apoiar práticas avaliativas, número que deve superar 75% até 2026. A mudança atende a um cenário mais complexo, com turmas heterogêneas, alunos mais exigentes e maior rigor dos órgãos reguladores.
O modelo tradicional, baseado em provas impressas e foco excessivo na memorização, vem sendo gradualmente complementado por soluções digitais capazes de ampliar a consistência e a rastreabilidade dos processos. A criação de bancos digitais de questões é uma das frentes que ganha força globalmente, pois permite padronização dos níveis de dificuldade, acompanhamento de versionamento e integração com plataformas como Canvas, Blackboard e Moodle. Segundo dados do EDUCAUSE Horizon Report 2025, mais de 70% das instituições norte-americanas já utilizam sistemas centralizados de itens avaliativos, indicando um padrão que deve se expandir para a América Latina.
A IA generativa também deve desempenhar papel decisivo nas avaliações em 2026. Tecnologias de geração assistida de itens, classificação automática por taxonomias cognitivas e feedback imediato aos estudantes tendem a reduzir o tempo de elaboração docente e aumentar a precisão dos critérios avaliativos. Além disso, modelos explicáveis, capazes de justificar sugestões pedagógicas, estão em desenvolvimento em universidades da Europa e da Ásia, ampliando a transparência dos processos. Pesquisas do JISC britânico mostram que 4 em cada 10 instituições já testam ferramentas de IA para apoiar avaliações adaptativas.
O impacto econômico para as instituições de ensino também é relevante. Ao automatizar etapas repetitivas, padronizar critérios e reduzir retrabalho, a tecnologia melhora indicadores como ENADE, CPC e IGC, e contribui para a retenção estudantil com experiências avaliativas mais justas e rápidas. Um estudo do Instituto Semesp de 2025 indica que IES que adotaram sistemas integrados de avaliação reduziram custos operacionais em até 28% ao ano e registraram melhoria na percepção de qualidade por parte dos alunos.
Rodrigo Streithorst, CEO da edtech Maieutics.ai, concorda com os benefícios e sugere: “Mais do que ganhos operacionais e financeiros, o que vemos hoje é uma mudança real de mentalidade. A IA não substitui o professor, ela se torna uma parceira estratégica, liberando tempo e energia para aquilo que realmente importa: ensinar com qualidade. Quando o docente deixa de executar tarefas mecânicas, ele recupera espaço para criar, inovar e fortalecer vínculos com seus alunos. É nesse reencontro com a essência da docência que a tecnologia mostra seu impacto mais transformador”.
Para 2026, a expectativa é de crescimento das avaliações por competências, uso ampliado de microcredenciais, interoperabilidade entre plataformas e ferramentas de supervisão de exames menos invasivas. Especialistas apontam ainda para o avanço da avaliação contínua apoiada por analytics, substituindo gradualmente exames finais únicos. O movimento acompanha benchmarks internacionais e reforça que o futuro da avaliação não depende da substituição do professor, mas de seu protagonismo potencializado pela tecnologia, uma convergência que promete elevar a relevância, a precisão e a sustentabilidade do ensino superior.




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