Pandemia, impostos e legislação desafiam bares e restaurantes de Brasília

Presidente do SINDHOBAR-DF — Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília afirma que bares, restaurantes e hotéis ainda enfrentam reflexos da pandemia e cobra mais diálogo na formulação de leis que atingem o setor



O presidente do Sindhobar-DF, Jael Antônio da Silva, afirmou que o setor de bares, restaurantes e hotéis do Distrito Federal vive um momento de atenção diante de mudanças trabalhistas, tributárias e legislativas. Em entrevista ao podcast Isto é Brasília, o empresário, que está em seu terceiro mandato à frente do sindicato, destacou os impactos da pandemia, criticou projetos que, segundo ele, podem aumentar custos para os empreendedores, e defendeu maior participação dos empresários nas decisões que afetam a categoria.

Jael relembrou que sua trajetória no setor começou ainda na juventude, movida pelo interesse pela gastronomia e pela vida boêmia. Em 1991, abriu o restaurante Carpedino, empreendimento que, segundo ele, marcou sua entrada definitiva no ramo. Anos depois, passou a atuar no associativismo empresarial, participando da fundação da Abrasel em Brasília e, posteriormente, integrando a diretoria do Sindhobar-DF até assumir a presidência da entidade.

Durante a conversa, o presidente do sindicato classificou a pandemia como um dos períodos mais difíceis para bares e restaurantes. Segundo ele, cerca de 3 mil estabelecimentos fecharam em Brasília durante a crise sanitária, deixando empresários endividados e famílias impactadas. Jael afirmou que, mesmo anos depois, parte do setor ainda não conseguiu se recuperar totalmente, especialmente os pequenos e microempresários.

“O empresário ainda está trabalhando com dificuldade. Muitos não conseguiram colocar as contas em dia”, afirmou. De acordo com Jael, aproximadamente 30% dos bares ainda enfrentam situação crítica, enquanto parte dos estabelecimentos opera sem lucro ou com prejuízo.

Outro ponto central da entrevista foi o debate sobre o fim da escala 6x1. Para o presidente do Sindobar-DF, a proposta representa um risco para setores que funcionam todos os dias, como bares, restaurantes, hotéis e pousadas. Ele defendeu que qualquer mudança seja discutida com mais profundidade e, preferencialmente, tratada por meio de convenções coletivas, respeitando as particularidades de cada segmento.

Jael também demonstrou preocupação com a reforma tributária. Segundo ele, o setor de alimentação pode ser um dos mais prejudicados, especialmente empresas enquadradas no Simples Nacional. O empresário argumentou que a impossibilidade de geração de créditos tributários pode colocar pequenos negócios em desvantagem competitiva em relação a empresas de lucro real ou presumido.

Na avaliação do presidente do Sindhobar-DF, o setor produtivo ainda não está plenamente preparado para as mudanças tributárias que entrarão em vigor nos próximos anos. Ele afirmou que muitos empresários ainda têm dúvidas sobre os novos mecanismos de cobrança e sobre a adaptação dos sistemas fiscais.

A atuação da Câmara Legislativa do Distrito Federal também foi tema da entrevista. Jael criticou projetos de lei que, segundo ele, criam obrigações excessivas para bares e restaurantes sem diálogo prévio com o setor. Entre os exemplos citados, estão propostas relacionadas à Lei do Silêncio, ao combate ao racismo em estabelecimentos e à chamada Lei do Engasgo.

Sobre a Lei do Silêncio, Jael defendeu uma revisão dos limites atuais de ruído. Para ele, a legislação está desatualizada e prejudica a vida noturna de Brasília. O presidente do Sindobar-DF afirmou que o barulho urbano muitas vezes já supera os limites estabelecidos para os estabelecimentos, o que, em sua visão, gera distorções na aplicação da norma.

Apesar das críticas, Jael elogiou a aproximação recente entre os sindicatos e o Sistema Fecomércio-DF. Ele destacou a atuação do presidente José Aparecido da Costa Freire e afirmou que houve avanços na relação com o Sesc, o Senac e o Instituto Fecomércio. O dirigente também ressaltou a importância da formação profissional para suprir a falta de mão de obra qualificada no setor de gastronomia e hospedagem.


Ao final da entrevista, Jael reforçou a necessidade de maior engajamento dos empresários junto ao Sindhobar-DF. Segundo ele, a participação da categoria é fundamental para fortalecer a representação do setor, barrar propostas consideradas prejudiciais e construir soluções equilibradas para trabalhadores, empresários e consumidores.

“O empresário precisa conhecer a casa dele, que é o sindicato. Nós defendemos pautas que afetam todos, associados ou não”, afirmou Jael.


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