
O Brasil precisa de líderes que ajudem o país a andar para frente. Precisa de gente disposta a dialogar, construir pontes, respeitar o resultado das urnas e colocar o interesse nacional acima de mágoas pessoais

por Paulo Melo*
Infelizmente, o que se vê hoje no comando do Senado é o contrário disso. Davi Alcolumbre tem se comportado, na prática, como um inimigo do Brasil: não porque discorde do governo, o que é legítimo numa democracia, mas porque parece usar o poder que recebeu para travar, atrapalhar e transformar a política em palco de vingança.
O presidente do Senado não foi escolhido para fazer birra. Foi escolhido para conduzir uma das instituições mais importantes da República. O papel de quem preside o Senado deveria ser garantir equilíbrio, responsabilidade e diálogo. Mas Alcolumbre parece querer entrar para a história por outro caminho: como o presidente do Senado que mais atrapalhou o governo, que mais dificultou a governabilidade e que mais colocou interesses políticos acima das necessidades do povo brasileiro.
A derrota de Jorge Messias na indicação ao Supremo Tribunal Federal foi um símbolo desse comportamento. Messias não era apenas mais um nome técnico indicado ao STF. Era também um jurista com trajetória pública, ligação com a Advocacia-Geral da União e identidade evangélica. Ao articular contra essa indicação, Alcolumbre não derrotou apenas o governo. Simbolicamente, derrotou também a possibilidade de um evangélico chegar ao Supremo naquele momento. Foi um recado duro a milhões de brasileiros evangélicos que esperavam ver maior representação nos espaços mais altos do Judiciário.
O problema não é o Senado rejeitar uma indicação. A Constituição permite isso. O problema é quando a rejeição parece nascer menos de uma avaliação técnica e mais de uma disputa de poder. Quando o interesse público fica em segundo plano e a política vira vingancinha, quem perde não é apenas o governo: quem perde é o Brasil.
Agora, além de travar nomes e tensionar a relação entre os Poderes, Alcolumbre ainda flerta com pautas-bomba que podem prejudicar a economia. Em um país que já enfrenta déficit fiscal, qualquer proposta que aumente despesas sem responsabilidade precisa ser tratada com seriedade. O Brasil não pode brincar com as contas públicas. Não se gera emprego, crescimento e confiança criando gastos sem planejamento apenas para pressionar o governo ou agradar grupos políticos.
Quando o Congresso aprova medidas que ampliam despesas sem indicar de onde virá o dinheiro, a conta chega para o povo. Chega no aumento dos juros, na dificuldade de investimento, na insegurança econômica e na perda de confiança. O trabalhador sente no bolso. O empresário pensa duas vezes antes de investir. A família brasileira paga o preço.
Por isso, Alcolumbre precisa decidir que papel quer ter na história. Quer ser lembrado como um líder institucional, capaz de dialogar mesmo nas diferenças? Ou quer ser lembrado como o presidente do Senado que preferiu atrapalhar o Brasil para alimentar disputas pessoais?
A oposição tem direito de existir. O Congresso tem direito de fiscalizar. O Senado tem direito de discordar do governo. Mas nenhum desses direitos autoriza irresponsabilidade. Nenhum cargo público deve ser usado como instrumento de revanche. O Brasil é maior do que o ego de qualquer político.
Davi Alcolumbre deveria ajudar o país a encontrar saídas. Deveria agir com grandeza. Deveria entender que presidir o Senado é servir ao Brasil, não se servir do cargo para impor derrotas ao governo. Quando um presidente do Senado atua para criar crise, aumentar despesas e enfraquecer a governabilidade, ele deixa de ser apenas um adversário político: passa a agir como obstáculo ao desenvolvimento nacional.
O Brasil precisa de estabilidade, responsabilidade fiscal, respeito institucional e compromisso com o povo. O que não precisa é de pauta-bomba, vingança política e sabotagem disfarçada de independência parlamentar.
Por isso, é preciso dizer com clareza: Alcolumbre está escolhendo o lado errado da história. Em vez de ajudar o Brasil, está atrapalhando. Em vez de construir, está criando obstáculos. Em vez de honrar o Senado, está usando sua força política para impor derrotas e gerar instabilidade.
O país não pode ser refém de vaidades. O Brasil precisa seguir em frente — com ou sem Alcolumbre.
*Paulo Melo é jornalista, administrador, professor e presidente do Instituto Nacional de Condomínios e Cidades Inteligentes - INCC.
Tags:
55 Brasil
.jpg)


