DECOR bate à porta do passado

 Operação da Polícia Civil, DECOR, bate à porta da antiga equipe econômica de Ibaneis Rocha

O dia amanheceu nebuloso no Palácio do Buriti. Não por causa do tempo. Mas pelas notícias que começaram a chegar logo nas primeiras horas da manhã.

Uma operação do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DECOR), da Polícia Civil do Distrito Federal, voltou os olhos para personagens que integraram a equipe econômica do governo Ibaneis Rocha e ocuparam cargos estratégicos na administração distrital.

Entre os alvos aparece Luiz Carlos, nome que já teve passagem pela Secretaria de Economia durante a gestão anterior. Porém, nome que já não fazia parte da estrutura administrativa quando a governadora Celina Leão assumiu definitivamente o comando do Governo do Distrito Federal. Ao reorganizar a área econômica, Celina promoveu mudanças e Luiz foi exonerado.

A extensão da operação alcançou também uma figura considerada central na condução da política econômica do governo passado. Ney Ferraz, ex-secretário de Economia e homem forte da área durante boa parte da gestão Ibaneis Rocha, voltou ao centro das atenções.

Segundo informações ligadas à investigação, agentes da DECOR estiveram na residência de Ney Ferraz nas primeiras horas desta quarta-feira para cumprir mandados judiciais de busca e apreensão. Equipamentos eletrônicos, documentos e outros materiais de interesse da investigação teriam sido recolhidos.

O episódio amplia as dificuldades enfrentadas por Ferraz. Ainda durante o governo Ibaneis Rocha, ele já havia deixado o cargo após problemas judiciais decorrentes de um processo no qual foi condenado juntamente com sua esposa. O afastamento ocorreu antes mesmo da mudança de governo e antecedeu a posse definitiva de Celina Leão.

A operação desta quarta-feira faz ressurgir personagens que tiveram influência direta sobre a condução das finanças públicas do Distrito Federal em um período marcado por fortes discussões sobre a situação fiscal do governo. Nos bastidores da política local, a ação da Polícia Civil foi interpretada como mais um capítulo das investigações que avançam sobre decisões e atos praticados durante a administração anterior.

Em Brasília, investigações têm uma característica peculiar: muitas vezes demoram a chegar. Mas, quando chegam, costumam encontrar velhos conhecidos pelo caminho.

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