Levantamento inédito detalha os setores com maior criticidade na região metropolitana e reforça o cumprimento das leis contra o uso do cerol
Somente
em abril, os registros saltaram 45% na comparação com março, totalizando 32
casos, enquanto maio apresentou uma nova alta em relação ao mês anterior,
saltando para 129 ocorrências. O movimento de alta consolidou-se em junho, que
fechou o mês com 112 registros de quedas de energia. Já nos primeiros dias de
julho, as equipes técnicas já contabilizaram outras 19 ocorrências,
evidenciando a necessidade de reforçar a atenção com a segurança justamente no
período em que os estudantes ganham mais tempo livre nas férias.
O
mapa desenhado pela distribuidora aponta que pouquíssimos municípios concentram
a maior parte do impacto social. É que a situação é preocupante na capital.
Goiânia lidera isolada com 63 ocorrências, o que representa cerca de 26% de
todos os registros do Estado. Logo em seguida aparecem Aparecida de Goiânia,
com 32 casos, Senador Canedo, com 23, e Trindade, com 14. Juntas, essas quatro
cidades da região metropolitana respondem por aproximadamente 55% de toda a
falta de energia provocada por pipas no território goiano em 2026, seguidas por
Rio Verde e Anápolis.
Para
o gerente do Centro de Operações Integradas da Equatorial Goiás, Vinicyus Lima,
a dinâmica das grandes cidades explica essa distribuição dos dados. “A
concentração de ocorrências na região metropolitana acompanha a maior densidade
populacional e o uso mais intenso dos espaços urbanos. Por isso, com a chegada
das férias escolares, a Equatorial Goiás reforça a importância da prevenção,
orientando a população a soltar pipas em locais abertos e distantes da rede
elétrica, reduzindo riscos de acidentes e de interrupções no fornecimento de
energia”, avalia o gerente.
Brincadeira
perigosa que afeta a rotina
Para
além das estatísticas, o impacto técnico na rotina das famílias ocorre por
conta de uma peça-chave do sistema: os chamados alimentadores. Um alimentador é
o cabo principal de energia que sai de uma subestação para abastecer bairros
inteiros ao longo de vários quilômetros. Quando a linha de uma pipa enreda
nesses pontos estratégicos, ela cria um caminho condutor para a corrente
elétrica. Isso gera um curto-circuito imediato que faz os sistemas automáticos
de proteção desligarem a rede para evitar incêndios e acidentes.
Se
em média cada ocorrência afeta entre 150 e 250 clientes ligados à fiação local,
o contato nos alimentadores principais pode provocar falhas maiores. Exemplo
disso foi um único evento registrado em Formosa, no mês de abril, que deixou
5.500 clientes sem luz de uma só vez, e outro caso em Goiânia, em junho, que
afetou quase 5.000 consumidores simultaneamente. Ambos resolvidos rapidamente,
mas de toda forma, causaram transtornos temporários aos clientes.
O
monitoramento do Centro de Operações Integradas (COI) da concessionária indica
que essas manutenções de emergência se concentram majoritariamente no período
da tarde e início da noite, entre 15h e 20h. Em Goiânia, os setores com maior
incidência são Jardim Novo Mundo, Setor Perim, Residencial Recanto do Bosque,
Residencial Real Conquista e Residencial Buena Vista III. Em Aparecida de
Goiânia, destacam-se o Jardim Maria Inês, Jardim Buriti Sereno, Jardim
Tiradentes e Bairro Nova Cidade.
Para
o gerente do Centro de Operações Integradas da Equatorial Goiás, Vinicyus Lima,
o mapeamento detalhado dessa área vulnerável permite que a distribuidora faça
ações técnicas direcionadas de manutenção, mas o engajamento social é
insubstituível. “Soltar pipa é uma tradição cultural saudável, mas que exige
responsabilidade coletiva. Quando uma linha atinge um alimentador importante da
rede elétrica, o impacto não é apenas local: bairros inteiros e milhares de
famílias podem perder o fornecimento de energia instantaneamente por conta de
uma brincadeira em local inadequado. Precisamos do apoio dos pais e dos jovens
para que a diversão aconteça longe dos fios e com total segurança”, ressalta
Vinicyus.
Cerol
e linha chilena na mira da lei
O
grande perigo na rede elétrica vai além do brinquedo de papel e está associado
ao uso ilegal de materiais cortantes. A prática é combatida de forma rígida
pela legislação vigente no Estado. A Lei Estadual nº 20.454/2019 proíbe
terminantemente a fabricação, a comercialização e a própria posse de cerol ou
linha chilena em solo goiano. As penalidades administrativas preveem multas que
começam em R$ 200 e podem chegar a R$ 2 mil para pessoas físicas. Para
estabelecimentos comerciais flagrados vendendo o material, a multa ultrapassa
R$ 3 mil, com aplicação do dobro do valor e fechamento definitivo do local em
caso de reincidência. Na capital, a Lei Municipal nº 8.832/2009 reforça a
proibição do uso em todas as áreas públicas e autoriza a apreensão imediata dos
materiais pelos órgãos de fiscalização.
Vinicyus
Lima reforça a gravidade do uso desses compostos e o risco que representam para
a continuidade do serviço e para a integridade física das pessoas. “O grande
perigo real na rede elétrica não é a pipa em si, mas o uso criminoso de cerol e
linhas chilenas. Esses materiais cortantes destroem os cabos de energia e
representam um risco gravíssimo de acidentes fatais, tanto para a população
quanto para as nossas equipes de campo que trabalham na manutenção. Nosso
compromisso técnico é monitorar e reparar esses circuitos críticos de forma
ágil, mas a prevenção e o respeito às leis de segurança continuam sendo o
melhor escudo para proteger vidas”, alerta o gerente.
Orientações
de segurança
A
Equatorial Goiás reforça algumas medidas para evitar acidentes:
*
Evitar soltar pipas próximo à rede elétrica
*
Priorizar locais abertos, como parques e campos
*
Não tentar retirar pipas presas em fios ou postes
*
Não utilizar cerol ou linha chilena
*
Evitar materiais metálicos na estrutura da pipa
*
Manter crianças sob supervisão
Em
caso de ocorrência
*
Isolar o local e evitar aproximação
*
Não tocar em fios ou objetos em contato com a rede
*
Acionar o Corpo de Bombeiros (193)
*
Entrar em contato com a Equatorial Goiás pelo 0800 062 0196
A
concessionária mantém monitoramento contínuo do sistema elétrico e equipes
preparadas para atuação rápida, mas reforça que a prevenção é essencial para
reduzir riscos e evitar impactos no fornecimento de energia
Sobre
a Equatorial Goiás
A
Equatorial Goiás é uma empresa que pertence ao Grupo Equatorial, uma holding
brasileira do setor de utilities, sendo o 3º maior grupo de distribuição de
energia do país, com 7 concessionárias que atendem mais de 56 milhões de
pessoas. Somente em Goiás são cerca de 3,8 milhões de unidades consumidoras,
localizadas em 237 municípios do Estado e abrangendo 98,7% do território
estadual, com cobertura de uma área de 336.871 km².

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