Artigo escrito por Gilson Pinheiro*
Um dos maiores desafios desta década são os transtornos alimentares. Segundo a Organização World Eating Disorder, mais de 70 milhões de pessoas apresentam algum transtorno alimentar, quadro que impacta negativamente na saúde física e mental.
Comer, ato social basal para a sobrevivência, precisa ser mais bem compreendido. Através dele o corpo obtém energia necessária para executar todas as funções, proporcionar os nutrientes para o funcionamento corporal, garantir a sobrevivência da espécie e satisfazer necessidades emocionais.
É também um ato que marca a celebração de conquistas. Ao redor da mesa as conversas fluem e distâncias desaparecem. Contudo ainda há impasses na relação com alimentação saudável, merecendo, portanto, melhor reflexão.
Uma rotina agitada e a pouca disponibilidade de tempo têm levado as pessoas a consumirem excessivamente alimentos hipercalóricos, com baixo valor nutricional, ricos em gorduras saturadas, açúcares e sódio¸ além de junk foods, evidenciando a relação disfuncional entre as pessoas e os alimentos.
Uma dieta saudável ajuda a proteger contra doenças crônicas e deve variar de acordo com as necessidades individuais, já a alimentação não-saudável é um fator de risco para doenças crônicas como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, cânceres e outras.
Paradoxalmente salienta-se que a procura de uma alimentação saudável pode revelar contornos patológicos, como o que ocorre na ortorexia. Pessoas ortoréxicas são perfeccionistas e autocríticas, mantendo regras rígidas e inflexíveis. Elas têm fixação por saúde alimentar, pelo corpo saudável e perfeito, pela qualidade dos alimentos e pureza da dieta. São tão seletivos em relação aos alimentos que optam por atitudes alimentares cada vez mais restritivas que podem proporcionar carência de determinados nutrientes, colocando em risco a própria saúde.
Por isso, há necessidade de melhor letramento nutricional ao adotar dietas rígidas e/ou sem bases cientificas, o qual proporciona vivência de adoecimento, independentemente.
A delicadeza desse assunto claramente paradoxal focaliza o lado disfuncional do comportamento alimentar obsessivamente saudável, ao combinar com rigidez extrema e inflexibilidade cognitiva. Percebendo alguém no qual a dieta ocupa mais espaço que a própria vida, é hora de buscar ajuda e criar espaço relacional entre pessoa/alimento mais seguro e acolhedor.
* Gilson Pinheiro é psicólogo, gastrônomo, professor universitário, doutor em Psicologia e pesquisador da relação entre alimentação e afeto.
Com informações de LC - Agência de Comunicação.

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