Empresas entram na contagem regressiva: faltam menos de 60 dias para a nova NR-1 entrar em vigor

  

Empresas entram na contagem regressiva: faltam menos de 60 dias para a nova NR-1 entrar em vigor

Especialista em gestão de pessoas aponta medidas urgentes e viáveis para pequenas e médias empresas se adequarem às exigências sobre riscos psicossociais no trabalho


 

Com a nova NR-1 prevista para entrar em vigor em maio de 2026, empresas brasileiras enfrentam um novo desafio: estruturar, de forma prática, a gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A norma passa a exigir que fatores como sobrecarga, metas desproporcionais, falhas de liderança e conflitos organizacionais sejam identificados, registrados e tratados dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

 

Para a CEO da Acelere Gestão de Pessoas, Lorranny Sousa, o maior erro neste momento é acreditar que a adequação depende de projetos complexos ou de mudanças difíceis de executar no curto prazo. “Ainda dá tempo de fazer o essencial. O que as empresas não podem é chegar à reta final sem diagnóstico, sem registro e sem um plano mínimo de prevenção. A adequação à NR-1 não começa com uma campanha bonita sobre bem-estar, começa com liderança preparada, análise real das condições de trabalho e decisões concretas sobre rotina, metas e cultura organizacional”, afirma.

 

Uma das recomendações do Ministério do Trabalho para auxiliar no processo é que a empresa inicie a avaliação por um setor piloto, desde que o processo seja posteriormente ampliado para todas as atividades. A especialista ressalta que o momento exige menos perfeccionismo e mais capacidade de execução. “Quem ainda não começou não precisa esperar o cenário ideal. Precisa iniciar com seriedade: levantar dados, escutar equipes, registrar critérios de avaliação, estabelecer prioridades e formalizar um plano. O risco, agora, é achar que ainda há tempo para adiar o assunto mais uma vez.”

 

Na prática, muitas das ações exigidas não dependem de grandes investimentos. Revisão de metas, redistribuição de tarefas, definição de prioridades e melhoria na comunicação interna já são medidas reconhecidas como eficazes na redução de riscos psicossociais. Na avaliação da especialista, pequenas e médias empresas ainda conseguem avançar de forma consistente nos dois meses finais se priorizarem cinco frentes: mapear áreas mais críticas, levantar indicadores já disponíveis na operação, registrar os riscos psicossociais no inventário, definir um plano de ação com responsáveis e prazos e treinar lideranças para reconhecer e corrigir fatores de adoecimento no dia a dia.

                                                                                                                                                                

Medidas simples podem fazer a diferença

 

Entre as medidas mais viáveis para implementação imediata, Lorranny destaca o acompanhamento mais próximo das lideranças e a abertura de canais seguros para escuta dos trabalhadores. “Muita empresa imagina que vai precisar começar por grandes investimentos. Em muitos casos, o primeiro passo está em corrigir falhas de gestão que já são conhecidas, mas vêm sendo naturalizadas: urgência permanente, acúmulo de função, comunicação agressiva, falta de clareza e ausência de apoio da liderança”, diz.

 

Para a especialista, o que a NR-1 pede é método, documentação e prevenção. Por isso, o maior ponto de virada está na liderança. “Não adianta mapear riscos e manter gestores despreparados para lidar com pressão, metas e pessoas. A norma traz uma mudança clara: o problema deixa de ser invisível e passa a ser gerenciável e, portanto, responsabilidade da empresa”, garante.

 

Ela também destaca que o que adoece o colaborador não é apenas o volume de trabalho, mas a forma como este é organizado. “Não é uma norma para avaliar a saúde mental de cada trabalhador individualmente, e sim para avaliar se o trabalho está organizado. Quando a empresa identifica excesso de demanda, pressão desproporcional, conflitos recorrentes ou gestão desorganizada, ela já tem elementos para agir. Ambientes com urgência constante, falta de clareza e pressão mal conduzida tendem a gerar mais afastamentos e queda de desempenho. E isso é gestão, não é individual”, esclarece.

 

O tema ganha força diante do avanço do adoecimento mental no país. Dados oficiais da Previdência Social mostram que o Brasil registrou 472.328 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais em 2024; em 2025, esse número subiu para 546.254. Para Lorranny, esse cenário reforça que a adequação à NR-1 não deve ser tratada apenas como obrigação legal, mas como uma questão de sustentabilidade do negócio.

 

“Quando a empresa reduz fatores de risco psicossocial, ela não melhora apenas o clima. Ela reduz afastamentos, retrabalho, perda de produtividade, rotatividade e passivos. A nova NR-1 exige urgência, mas também traz uma oportunidade: a de colocar a gestão de pessoas em um patamar mais estratégico, preventivo e maduro”, conclui.

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